Intercâmbio - Como tudo começou

Acredito que tudo nessa vida comece através de um sonho, ou no mínimo uma ideia.

Eu sempre tive um sonho de fazer um intercâmbio, mas nunca tive a oportunidade. Nos últimos anos isso foi incentivado em nosso país e na minha universidade, aconteceu mais uma edição do programa interno de intercâmbio, mas pela primeira vez para alunos da Pós-Graduação.

O sonho aumentou ainda mais quando vi a lista de países possíveis: Portugal, Espanha, Austria e Alemanha. Qualquer um deles seria ótimo, mas nesse último me prendi, pois no ano de 2013 conheci algumas pessoas de lá através da ONG que participo,  em um Congresso Mundial que aconteceu no Rio de Janeiro.

Membros de todo o mundo da ONG JCI, em treinamento no Rio de Janeiro
Por sorte ou destino (como alguns acreditam), inúmeros requisitos para participação foram coincidentemente sendo preenchidos. O mais incrível era que eu estava pela segunda vez matriculado no curso, pois na primeira eu não havia concluído o TCC, mas estava com todas as disciplinas cursadas. Ou seja, algo não tão bom no passado, acabou se transformando em algo positivo. Em síntese: estava no momento certo, no lugar certo e o mais importante: PREPARADO. 

Ao menos achava que estava...


Primeiramente participei de um processo seletivo interno na Universidade através da nota em uma prova de proficiência em Inglês, com parte objetiva e entrevista. Como já vinha me preparando em cursos extra curriculares e também através do contato com estrangeiros, consegui me sair bem nessa etapa. Com nota 92 de 100, fui aprovado:



Começou então um grande desafio: Conseguir a licença do trabalho para capacitação no exterior. No Serviço Público Federal, isso se torna um pouco mais complexo, pois é necessário autorização expressa do Presidente ou um de seus representantes, no caso o Reitor. Graças ao apoio dos colegas e a entrada de dois novos Analistas (através do Concurso que ajudei a organizar), foi viabilizada minha ida pelas chefias a pedido da Reitora.



Despedida do trabalho com chegada de novos colegas
Na verdade o grande desafio ainda estava por vir, no aceite da Universidade estrangeira de onde eu iria. Achei que o fato de escolher o projeto de uma lista já me garantia o ingresso. Engano meu: Tive a primeira escolha de universidade negada por razões que até hoje desconheço. Foi agendado uma "reunião virtual", para a qual me preparei e até cortei o cabelo comprido pra doação (era uma promessa!). Após passar pelo que na verdade foi uma entrevista em Inglês via vídeo conferência, recebi um e-mail com o seguinte título: "Farleir Minozzo - Rejection". O e-mail seguia:

Dear Farleir,
thanks for your time for the interview.
I am sorry to tell that we decided not pursue your application further.
Best wishes for your future


Ok Mr. [...], thank you for your time.
Maybe I could apply to another project of that list?
Best regards

I am sorry, no!
Regards



Thanks for your answer and patience Mr. [...]
Maybe I could know the reason(s) to be better next time?
Thank you

Essa ultima resposta espero até hoje... Com certeza foi um péssimo começo de 2014 para quem achava que estava com tudo certo no intercâmbio, não é? Busquei todas as instâncias possíveis e mesmo com todo apoio do Escritório Internacional, não foi possível reverter o quadro. Mesmo tendo essa primeira impressão dos Alemães, não desisti daquele país. Mas tinha menos de 2 meses para achar um novo lugar e resolver tudo!



Sendo assim fui para a segunda tentativa, dessa vez em um Instituto de Pesquisa Alemão renomado no mundo inteiro. Esse Instituto possuía representante aqui em Floripa, então lá fui eu procurar o escritório local. Fui super bem recebido e em poucos dias consegui uma entrevista para um dos projetos. Fiz a entrevista em conjunto com o Engenheiro local, parte em Inglês e parte em Alemão sendo traduzido, através de um iPhone somente por voz!

Coincidentemente o projeto que estava disponível era em uma plataforma que eu já estava usando. O resultado é que fui aprovado e comecei a saga para agilizar a papelada. Acabamos chegando a conclusão de que teria que fazer o processo de Visto de estágio, o mesmo para trabalho na Alemanha, pois não havia Universidade vinculada. Devido a demora que haveria na documentação para obtenção do Visto (8 semanas) e a falta de tempo para início do intercâmbio/viagem, acabei sendo obrigado a desistir dessa baita oportunidade.

Por mais que tudo ainda estivesse incerto quanto a cidade que eu iria, uma coisa era certa: eu queria ir para Alemanha. Deixei essa condição clara para mim, primeiro porque alimentei esse sonho de ir pra lá e segundo porque na Alemanha teria amigos/conhecidos.

Evento em Floripa com casal de Alemães e uma amiga que mora na Alemanha
Sendo assim busquei a terceira e última opção de Universidade no Norte da Alemanha e foi então que fui simplesmente aceito! Como já estava com passagem comprada só me restava ir. Ainda no Brasil agilizei questões de moradia estudantil que ficava no próprio campus e outras coisas. Para isso tive a ajuda de um “Buddy” indicado pelo escritório internacional da Universidade Estrangeira, um Alemão mais Manézinho que eu, pois ele já tinha morado em Floripa! 
Mas essas são novas histórias...


Animação do Bloco Central da Universidade de Neubrandenburgo

Continue acompanhando, o próximo post será sobre a viagem de ida de 40h!