Viagem e chegada na Alemanha

A hora de realizar o grande sonho chegou e tudo precisava ser bem planejado, afinal ninguém queria “queimar a largada”!
Minha viagem foi libertadora. Solitária e cheia de personagens ao mesmo tempo. Mas como estava sozinho, não havia como me perder. ;)

Embarquei no meio da semana, me despedi de pessoas que fizeram meu início de ano uma grande aventura e deixei a promessa de aproveitar tudo ao máximo! Mas o que talvez não falei, foi que teria que me desligar completamente delas e quase tudo daqui...



E foi o que aconteceu, me desliguei de tudo e todos. Pois as vezes temos que escolher entre viver, ou abrir mão disso para escrever um diário do que poderíamos ter vivido.
Me desliguei tanto que já no aeroporto se SP entrei no banheiro feminino! Só notei a falta de mictórios quando saí da cabine e uma simpática senhora com olhos puxados me alertou do engano! Lavei as mãos e fui pra fila do embarque, envergonhado.
Itinerario: Florianópolis, São Paulo, Rio de Janeiro, Frankfurt, Berlin e Neubrandenburg. Qual a chance disso dar certo para quem viajou uma só vez pro exterior e perderam sua mala? E deu certo, mas com muito planejamento e um pouco de sorte, claro.
(Que o diga minha colega de Intercâmbio que voaria pela primeira vez e perdeu a escala em Londres, passando a noite na estação de trem de Berlim!).
Bacana contar com ajuda do Google nessas horas
Sendo assim já vinha monitorando o preço das passagens. Como não recebi ajuda de custos para passagem, descobri também que poderia ir com milhas (Isso merecia um post especial, pois comprar passagens ou viajar com milhas é quase como operar na bolsa de valores!)
Com 40mil milhas ganhas de grão em grão em postos de combustíveis, emiti minha passagem. Ao menos a de ida, pois ainda não tinha milhas pra volta. O fato é que eu sabia que voltaria, mas ainda não sabia como e quando. 
N.A.: Não recomendo que se faça isso, pois a passagem de volta pode ser solicitada pela imigração.

Resolvido as questões nacionais entrei no avião que ia cruzar o Atlântico da cidade maravilhosa direto para a Alemanha. Na mala de mão dessa vez carregava tudo que realmente importava, não Café e Tang, como quando perderam minha mala e cheguei no destino somente com a roupa do corpo!
Mapa que o Google gera automaticamente a partir do Location History
Depois de mais de 11h de viagem durante a noite, cheguei as 15h em Frankfurt e com passagem de trem comprada para as 16h11, pois era o último trem que conseguiria me levar ao meu destino ainda naquele dia!
Vista de Frankfurt e seus prédios, o coração financeiro da Alemanha
Tive uma viagem extremamente agradável e reconfortante. Dormi o suficiente e acordei na Europa, com novas paisagens. Mas nada de neve, afinal era início de primavera lá.
Lindas paisagens no caminho do trem, com árvores secas mas com as folhas florescendo
A calmaria foi interrompida logo na saída do avião, onde policiais alemães estavam 'aleatoriamente' interrogando passageiros. Depois na saída do 'finger', nos esperavam uma comitiva de Policiais Alemães dando as “boas vindas” a Brasileiros desprevenidos. Aquilo quase mais parecia um corredor Polonês e quase passei por todos sem ser chamado, menos pelo último.
A primeira pergunta já foi em língua local, ótimo. Só sabia contar até dez em Alemão, mas tinha treinado a pergunta mais útil para qualquer estrangeiro: “Você fala inglês por favor?” ou no caso “Exprechen zie English Bitte?” em bom Alemoes de um Gaúcho que acha que já tem sotaque de Manezinho. Ele em bom Inglês respondeu: Ja! (lei-a-se ‘iá’, que significa ‘sim’, mas em Alemão e não Inglês :).
Após de comprovar realmente que meu azar tinha viajado comigo, o policial me pediu o que eu estava fazendo ali. Somente depois que eu consegui pronunciar o nome da cidade que eu iria direito e em tom bravo (como qualquer Alemão), ele me pediu pra ver algo que provasse que eu ia estudar! Puxei a papelada e ele me liberou… ufa.
Já estava me achando o Super Homem ;P
Sai correndo para o guichê do Visto e lá não me perguntaram nada, nem passagem de volta! Sem saber onde deveria pegar as malas, pedi pra um Alemão (que veio ao meu lado no vôo), ele solicitamente disse que ia junto e iria me levar a estação de trem também, pois era longe e complicado de explicar.
Esperemos as malas e nada das minhas aparecerem. Já comecei a lembrar de outra viagem que perderam minhas malas e passei a viagem toda sem nada! Depois das do cara aparecerem, ele me disse que iria esperar logo a frente. 
Demorou mas peguei minhas malas e adivinha, o cara já não estava mais lá. Pronto, primeira decepção com locais, mas não tinha tempo pra me lamentar! Corri pra estação e depois de estar meio confuso, pedi informação, só para confirmar que estava no lugar certo, claro. Chegando na plataforma um senhor muito simpático veio falar comigo e acabamos por fazer parte da viagem juntos, falando em Portunhol!
Único registro que tenho do desconhecido, no reflexo do vidro.

Lá se foi o trem a mais de 200km/h atravessando a Alemanha, com direito a por do sol e tudo! Fiz mais 2 trocas de trem (sem errar!) e cheguei ao destino quase meia noite no ultimo trem, completando 40h de viagem!




No frio da pequena estação cheia de névoa, lá estava o esguio Alemão que fora designado como meu Buddye, somente esperando para me levar ao alojamento e feliz por eu não ter me perdido o último trem.



Calmo em um dos melhores e mais novos trens Europeus, ICE
Mas essa calmaria não durou muito...


Intercâmbio - Como tudo começou

Acredito que tudo nessa vida comece através de um sonho, ou no mínimo uma ideia.

Eu sempre tive um sonho de fazer um intercâmbio, mas nunca tive a oportunidade. Nos últimos anos isso foi incentivado em nosso país e na minha universidade, aconteceu mais uma edição do programa interno de intercâmbio, mas pela primeira vez para alunos da Pós-Graduação.

O sonho aumentou ainda mais quando vi a lista de países possíveis: Portugal, Espanha, Austria e Alemanha. Qualquer um deles seria ótimo, mas nesse último me prendi, pois no ano de 2013 conheci algumas pessoas de lá através da ONG que participo,  em um Congresso Mundial que aconteceu no Rio de Janeiro.

Membros de todo o mundo da ONG JCI, em treinamento no Rio de Janeiro
Por sorte ou destino (como alguns acreditam), inúmeros requisitos para participação foram coincidentemente sendo preenchidos. O mais incrível era que eu estava pela segunda vez matriculado no curso, pois na primeira eu não havia concluído o TCC, mas estava com todas as disciplinas cursadas. Ou seja, algo não tão bom no passado, acabou se transformando em algo positivo. Em síntese: estava no momento certo, no lugar certo e o mais importante: PREPARADO. 

Ao menos achava que estava...


Primeiramente participei de um processo seletivo interno na Universidade através da nota em uma prova de proficiência em Inglês, com parte objetiva e entrevista. Como já vinha me preparando em cursos extra curriculares e também através do contato com estrangeiros, consegui me sair bem nessa etapa. Com nota 92 de 100, fui aprovado:



Começou então um grande desafio: Conseguir a licença do trabalho para capacitação no exterior. No Serviço Público Federal, isso se torna um pouco mais complexo, pois é necessário autorização expressa do Presidente ou um de seus representantes, no caso o Reitor. Graças ao apoio dos colegas e a entrada de dois novos Analistas (através do Concurso que ajudei a organizar), foi viabilizada minha ida pelas chefias a pedido da Reitora.



Despedida do trabalho com chegada de novos colegas
Na verdade o grande desafio ainda estava por vir, no aceite da Universidade estrangeira de onde eu iria. Achei que o fato de escolher o projeto de uma lista já me garantia o ingresso. Engano meu: Tive a primeira escolha de universidade negada por razões que até hoje desconheço. Foi agendado uma "reunião virtual", para a qual me preparei e até cortei o cabelo comprido pra doação (era uma promessa!). Após passar pelo que na verdade foi uma entrevista em Inglês via vídeo conferência, recebi um e-mail com o seguinte título: "Farleir Minozzo - Rejection". O e-mail seguia:

Dear Farleir,
thanks for your time for the interview.
I am sorry to tell that we decided not pursue your application further.
Best wishes for your future


Ok Mr. [...], thank you for your time.
Maybe I could apply to another project of that list?
Best regards

I am sorry, no!
Regards



Thanks for your answer and patience Mr. [...]
Maybe I could know the reason(s) to be better next time?
Thank you

Essa ultima resposta espero até hoje... Com certeza foi um péssimo começo de 2014 para quem achava que estava com tudo certo no intercâmbio, não é? Busquei todas as instâncias possíveis e mesmo com todo apoio do Escritório Internacional, não foi possível reverter o quadro. Mesmo tendo essa primeira impressão dos Alemães, não desisti daquele país. Mas tinha menos de 2 meses para achar um novo lugar e resolver tudo!



Sendo assim fui para a segunda tentativa, dessa vez em um Instituto de Pesquisa Alemão renomado no mundo inteiro. Esse Instituto possuía representante aqui em Floripa, então lá fui eu procurar o escritório local. Fui super bem recebido e em poucos dias consegui uma entrevista para um dos projetos. Fiz a entrevista em conjunto com o Engenheiro local, parte em Inglês e parte em Alemão sendo traduzido, através de um iPhone somente por voz!

Coincidentemente o projeto que estava disponível era em uma plataforma que eu já estava usando. O resultado é que fui aprovado e comecei a saga para agilizar a papelada. Acabamos chegando a conclusão de que teria que fazer o processo de Visto de estágio, o mesmo para trabalho na Alemanha, pois não havia Universidade vinculada. Devido a demora que haveria na documentação para obtenção do Visto (8 semanas) e a falta de tempo para início do intercâmbio/viagem, acabei sendo obrigado a desistir dessa baita oportunidade.

Por mais que tudo ainda estivesse incerto quanto a cidade que eu iria, uma coisa era certa: eu queria ir para Alemanha. Deixei essa condição clara para mim, primeiro porque alimentei esse sonho de ir pra lá e segundo porque na Alemanha teria amigos/conhecidos.

Evento em Floripa com casal de Alemães e uma amiga que mora na Alemanha
Sendo assim busquei a terceira e última opção de Universidade no Norte da Alemanha e foi então que fui simplesmente aceito! Como já estava com passagem comprada só me restava ir. Ainda no Brasil agilizei questões de moradia estudantil que ficava no próprio campus e outras coisas. Para isso tive a ajuda de um “Buddy” indicado pelo escritório internacional da Universidade Estrangeira, um Alemão mais Manézinho que eu, pois ele já tinha morado em Floripa! 
Mas essas são novas histórias...


Animação do Bloco Central da Universidade de Neubrandenburgo

Continue acompanhando, o próximo post será sobre a viagem de ida de 40h!


Olá, me chamo Farleir (sim, é o nome que escolheram pra mim) e esse é meu blog pessoal.

Como escrevi no tumblr.farleir.com, desde 6 de Março de 2015 pretendo escrever tudo que aconteceu no meu Intercâmbio na Alemanha em 2014.



É uma longa história, mas que ao meu ver vale a pena ser contada. Então espero que isso possa ser útil a alguém algum dia. Seja bem vindo e aproveite o que for possível!

to be continued...